No Brasil, muita gente cresce cercada de avós, tias, vizinhas e amigas que ajudam a cuidar das crianças. Quando a maternidade acontece longe de casa, essa rede some de uma vez, e o que antes era dividido passa a caber em duas pessoas, ou em uma só.
A rede que ficou no Brasil
Sem a família por perto, tarefas simples ficam pesadas: uma consulta médica, uma noite mal dormida, um dia em que você só precisava de alguém para segurar o bebê enquanto toma banho. A ajuda por videochamada conforta, mas não substitui um par de mãos.
Duas culturas dentro de casa
Criar filhos fora do Brasil traz perguntas que não existiam antes: em que língua falar com eles, quais costumes manter, como lidar com escolas e valores diferentes dos seus. Quando o parceiro é de outra cultura, essas decisões ganham ainda mais camadas.
Culpa e comparação
Muitas mães sentem culpa por privar os filhos da convivência com os avós, ou por não seguir o jeito brasileiro de criar. A comparação com outras mães, de lá e de cá, costuma aumentar a cobrança. É possível construir um jeito próprio de criar, que não precisa ser nem o de antes nem o do país novo.
O pós-parto longe de casa
O puerpério é uma fase delicada para qualquer mulher, e longe da família pode ser ainda mais solitário. Tristeza que não passa, ansiedade intensa, dificuldade de dormir mesmo quando o bebê dorme ou a sensação de não dar conta merecem atenção. Nesses casos, procure também o acompanhamento médico do país onde você está.
O que costuma ajudar
- Montar uma rede nova. Grupos de mães, vizinhas, amigas brasileiras na mesma cidade.
- Pedir ajuda de forma concreta. Dizer exatamente do que precisa costuma funcionar melhor do que esperar que percebam.
- Dividir de verdade. Conversar com o parceiro sobre as tarefas, e não só sobre quem ajuda quem.
- Um tempo só seu. Mesmo curto, um espaço em que você não seja só mãe.
Quando procurar ajuda
Se o cansaço virou esgotamento, se você se sente sozinha o tempo todo ou não se reconhece mais, a terapia pode ser um lugar para cuidar de você. Em português, no seu horário, sem precisar explicar de onde você vem.
Este texto é informativo e não substitui uma avaliação profissional. Em situação de emergência, procure o serviço de emergência do país onde você está.